quarta-feira, 9 de maio de 2012

Ao expirar o meu último suspiro também eu terei Rosebud nos meus lábios exactamente como a personagem principal de Citizen kane.
Ao expirar o meu último suspiro também eu doarei a vida a quem ma desejou tirar bem à forma do enredo de Blade Runner.
Poderia talvez considerar-me uma actriz no palco da vida mas temo bem que o sejamos todos.
Vivo apenas, como todos vivemos, com Rosebud no coração, tentando que a felicidade não esteja de todo esquecida numa vida em que a poesia quando surge é por urgência da alma e não por necessidade.
Vivo apenas e morrerei apenas, preferindo sempre a vida, acima do bem e do mal de cada vida.
Talvez amanhã ainda os meus olhos se encham de felicidade com o despontar de um dia azul de Primavera e espero perceber que esse sentimento sobre o horizonte azul é um milagre.
E espero que acima de tudo o que nos divide, nos mata, ou nos zanga, todos percebamos que vivemos um milagre.



quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Pior que as mulheres usarem saltos altos é as mulheres usarem sapatilhas...
E para cúmulo ficarem mais bonitas de sapatilhas que de saltos altos!
Porque diabo é que o mundo mudou?
Porque diabo é que as mulheres descobriram que tinham desejo além do desejo que posso sentir por elas?
Sim, porque é mesmo coisa do diabo...
Onde estão as mulheres, aquelas mulheres que realmente interessam, as maças que estão no topo da árvore, que zelam pelos seus maridos e pela sua casa?
Não, não é uma questão de misoginia....Há quem afirme a pés juntos que sim...Mas eu no fundo só queria que o mundo fosse igual ao dos livros da Anita...


O Macho Inconsolado.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O que fazer quando se devem mais que 100 milhões de euros a uma gaja?
Bem, tem que se arranjar uma maneira de não os pagar...
Entorpecer a gaja com manipulações mentais, inventar o mais que se possa inventar sobre a gaja para justificar não pagar, ameaçar a gaja...
Em último caso deve-se matar a gaja, já se sabe...
Um pequeno conto hardcore de Natal...
Um conto hardcore para nos recordar que felizmente a realidade é bem mais risonha que a ficção...
Beijinhos a todos e um Feliz Natal!

domingo, 27 de novembro de 2011

Ao descer a rua Bristol



Ao descer a rua Bristol
As I walked out one evening
por W. H. Auden, em 1937
(Tradução de Nelson Ascher)



Ao descer a rua Bristol
uma tarde, eu vi os demais
que eram como, antes da ceifa,
os já maduros trigais.

E ouvi junto ao rio, debaixo
da ponte da ferrovia,
um namorado cantando
como ele sempre amaria:

“Vou te amar, meu bem, até
que a África se junte à China,
que o rio salte a montanha
e salmões cantem na esquina.
Vou te amar até que o oceano
seque pendurado ao léu,
até que as Plêiades grasnem
quem nem os gansos no céu.

Anos fujam como lebres,
pois, nos braços, eu estreito
a Flor de Todas as Eras
e, entre amores, o perfeito.”
Mas, nas ruas, mil relógios
badalaram com alarde:
“Não confies nunca no Tempo,
Ele triunfa cedo ou tarde.

Nos desvãos do pesadelo,
onde a justiça está nua,
o Tempo espreita das trevas
e em teu beijo se insinua.

Em transtornos e ansiedade,
nossa vida esvai-se a esmo
e o Tempo há de impor-se a todos
amanhã ou hoje mesmo.

Neva em muitos vales verdes
e o Tempo reduz a nada
o arco que o mergulhador
descreve e a dança ensaiada.

Põe a mão até o pulso
dentro da água, na bacia,
pondera, ao fitar-lhe o fundo,
que tua vida foi vazia.

Desertos gemem na cama,
o armário acolhe o glaciar,
e a chávena leva à Terra
dos Mortos, ao se rachar.

Lá mendigo é perdulário
e o Gigante agrada a João,
anjinhos rugem ferozes,
Mariazinha dá no chão.
Olha bem, olha no espelho,
olha cheio de pesar:
viver é uma bênção, mesmo
que não possas abençoar.

Fica à janela conforme
ferve o choro assustador;
ama o próximo traiçoeiro
com teu coração traidor.”

Caía a noite, o casal
fora embora, a litania
dos mil relógios cessara
e, profundo, o rio corria.


O poema, narrado em inglês.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Poesia Sufi

O sufismo é uma corrente mística e contemplativa procedente do Islão, apesar de que não adopta extremismos religiosos.
Os sufistas procuram a proximidade com Deus e a iluminação através de meditação e da comtemplação do seu interior.
Para isto, é usada música, danças ou poesia.

Um dos maiores poetas Sufistas foi Rumi, mundialmente conhecido. Os seus poemas e contos ainda hoje inspiram a muita gente, mesmo de outras religiões.


Um Coração
por Rumi

Em cada coração há uma
janela para outros corações.
Eles não estão separados,
como dois corpos.
Mas, assim como duas lâmpadas
que não estão juntas,
Sua luz se une num só feixe.


sábado, 5 de novembro de 2011

Eu(s)

Desdobrei a minha Alma,
Qual peça de tecido, que no balcão se desenrola.
Dela saíram vários espíritos,
Várias "Personas", de vestes nuas,
De Almas vestidas...
Cada qual com sua ânsia,
Cada qual com a vaga Esperança.
Todas em desatino,
Todas em sintonia,
Umas parecidas comigo....
E as outras!....com quem seria?


Rui Magalhães Sarmento
Pra além de ti

A auréola revelou-se no vácuo.
O silêncio da noite atravessou o espaço
De átomos irrequietos de Ser.
Sons inaudíveis sussurraram no rodeio das sombras,
Vozes ténues que rebentam na luz....

Amo-te para além de Ti!.

Rui Magalhães Sarmento