sábado, 12 de dezembro de 2009

Amantes e Inimigos


Rosa Montero escritora espanhola, escreve de forma bastante própria sendo fácil aos seus leitores detectar o seu estilo literário.

Amantes e Inimigos é um conjunto de contos interessantíssimos, onde é visível o seu refinado sentido de humor.


Sobre a fealdade:


"Escolhemos o próximo como quem escolhe um cabide, e nele penduramos o invento dos nossos sonhos. E dá-se o maldito caso de que as pessoas tendem sempre a procurar cabides bonitos. Dá-se o reles caso de que se intui sempre um interior emocionante nas meninas bonitas, por muito néscias que sejam. Ao passo que ninguém se dá ao trabalho de supor uma alma bela numa mulher franzina, cabeçuda com olhos separados. Por vezes, esta certeza que acompanha a fealdade arde como uma ferida aberta: não é que não me vejam, é que não me imaginavam"

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A Casa Dos Espíritos, Isabel Allende




A primeira edição de "A casa dos Espiritos" saiu à venda em 1982, e catapultou Isabel Allende de uma maneira espetacular à fama. Esta foi a sua primeira obra.

O relato transporta-nos à história do Chile e conta-nos as aventuras e desventuras, amores e ódios, crenças e diferenças políticas de três gerações diferentes da família Trueba. Para além de abordar diferentes visões políticas, aborda também temas bastante controversos da altura e que ainda hoje despertam interesse.

As personagens são profundas e criativas, descritas pela escritora com um toque anedótico e ao mesmo tempo focando rasgos menos bons destas, mas que sem eles seria impossível transmitir o sentimento da época.

O relato em si é envolvente e cativante desde a primeira página. Isabel escreve de uma maneira muito fluida e com a pontada de sarcasmo característico dos Sul-Americanos.
Diferentes aventuras e muitas emoções, guerras pessoais e a guerra civil preencherão a sua leitura, e não poderá largar o livro até à última página. Eu pessoalmente, adorei. Desfrute!!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Livros




Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.

Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura.


Os livros são objectos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou ­ o que é muito pior ­ por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:


Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.


Caetano Veloso

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Click
Imagina que podemos controlar a vida através de um comando remoto universal.Tudo começa quando Michael se apercebe dos vários comandos existentes em casa para desempenhar uma função distinta, ou seja, um comando para a televisão, um para a agaragem , outro para o ventilador, para o carrinho de brinquedo.Atrapalhado com tantos botões e vendo a facilidade dos filhos de manusear e distinguir tantos, sai para uma loja de conveniência à procura de um comando universal.Percebo nesse filme o quanto estamos atrelados ás tecnologias, utilizando-as de maneira útil ou não.O filme é um sonho vivido pelo personagem.O mesmo ao possuir algo que poderia utilizar para controlar a sua própria vida , os seus familiares, amigos e até o cão, ficou extremamente feliz.Ele podia fazer tudo, fazer parar as pessoas, diminuir o volume da voz,adiantar os acontecimentos. Para resumir e não contar tudo, chega um momento que ele percebe que o importante é viver cada fase da vida, aceitar as situações chatas, conviver com as diferenças entre os familiares e colegas e que apesar de vivermos uma vida agitada sem tempo para os bons momentos, o que na realidade vale a pena, é viver o agora,o hoje, disfrutar de cada minuto com as pessoas que amamos.Até logo!!!
O mundo inteiro está cheio de pessoas. Há pessoas caladas que precisam de alguém para conversar. Há pessoas tristes que precisam de alguém que as conforte. Há pessoas tímidas que precisam de alguém que as ajude vencer a timidez. Há pessoas sozinhas que precisam de alguém para brincar. Há pessoas com medo que precisam de alguém para lhes dar a mão. Há pessoas fortes que precisam de alguém que as faça pensar na melhor maneira de usarem a sua força. Há pessoas habilidosas que precisam de alguém para ajudar a descobrir a melhor maneira de usarem a sua habilidade. Há pessoas que julgam que não sabem fazer nada e precisam de alguém que as ajude a descobrir o quanto sabem fazer. Há pessoas apressadas que precisam de alguém para lhes mostrar tudo o que não tem tempo para ver. Há pessoas impulsivas que precisam de alguém que as ajude a não magoar os outros. Há pessoas que se sentem de fora e precisam de alguém que lhes mostre o caminho de entrada. Há pessoas que dizem que não servem para nada e precisam de alguém que as ajude a descobrir como são importantes. Precisam de alguém Talvez de nós ... (Leif Kristiansson)

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Alguns estados da luz


















El Soplón (El Greco)

Egoísta não é, esta revista. Com grande pena minha, nesta biblioteca existem apenas meia dúzia de exemplares. Além do cuidado na escolha de textos e imagem, um papel excelente. Adoro estes papéis tão agradáveis ao toque, apetece folheá-los. A minha preferida é a número 18, de Março de 2004, dedicada à Luz. Mais luz, toda a matéria é combustível, meninos de luz, luzia e este texto de António Mega Ferreira.


«Vou supor que estão familiarizados com as propriedades da luz em circunstâncias do dia-a-dia, tais como: a luz viaja em linha recta; desvia-se quando entra na água; quando é reflectida por uma superfície como um espelho, o ângulo sob o qual a luz atinge a superfície é igual ao ângulo sob o qual a deixa; pode ser separada em cores; vêem-se cores lindas numa poça de lama quando esta tem um pouco de óleo; uma lente foca a luz; etc. Servir-me-ei destes fenómenos a que estão habituados para ilustrar o verdadeiro comportamento estranho da luz...»

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Then sing, ye Birds, sing, sing a joyous song!
And let the young Lambs bound
As to the tabor's sound!
We in thought will join your throng,
Ye that pipe and ye that play,
Ye that through your hearts to-day
Feel the gladness of the May!
What though the radiance which was once so bright
Be now for ever taken from my sight,
Though nothing can bring back the hour
Of splendour in the grass, of glory in the flower;
We will grieve not, rather find
Strength in what remains behind;
In the primal sympathy
Which having been must ever be;
In the soothing thoughts that spring
Out of human suffering;
In the faith that looks through death,
In years that bring the philosophic mind.


Intimations of Immortality From Recollections of Erly Childhood, de William Wordsworth