sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Perfeição


Quando eu limpo o pó,
Não deixo de limpar o assento da cadeira por baixo.
Porquê não sei bem,
Ninguém saberia a não ser eu que não o tinha limpo,
Nem o próprio pó saberia,
Já que eu próprio desconfio que esteja lá,
E ainda assim,
Sou incapaz de deixar a cadeira,
Sem me debruçar para limpar,
Um pó que não sei se existe e que com certeza ninguém vê.
Ninguém com certeza me vai dar os parabéns pela minha minúcia,
Que às vezes ocupa mais tempo do que é útil,
Mas eu gosto do trabalho bem feito.
Só ainda não consegui limpar o pó completamente a uma guitarra,
E deve ser por isso que o seu som me parece sempre sujo.


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A minha mulher é muito séria,
Nunca usa mini-saia,
Nem tão pouco um decote...
Acho mesmo que à noite,
Debaixo da camisa de dormir,
Usa um saiote...
Por isso rapazes,
Vamos todos à praia do Meco,
Que eu quero ver uma mulher nua,
E se possível, a fazer porcarias...

Elisa Sampaio

Foi quando me disseste que te faltavam dois dentes,
E que metade dos que tinhas estavam chumbados,
Que eu realmente comecei a gostar de ti...
É que sabes, assim eu sei,
Que cuidas mais da alma que do corpo...

Elisa Sampaio

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Eu pisco o olho a quem me apetece,
Um piscar de olho que tem mais de esperança que de lascívia.
Um piscar de olho que só faz mal,
A quem não tem coração para o entender.

Elisa Sampaio
Dona Maria ia à missa todos os domingos,
E enquanto rezava fervorosamente pela salvação do mundo,
Condenava ao inferno meretrizes, ladrões e infieis da fé.
Deus na sua infinita sabedoria,
Deixou que Dona Maria toda a gente condenasse,
E salvou quem achou por bem salvar,
E parece-me que não salvou a Dona Maria.


Elisa Sampaio.
A criança dançava na luz,
Uma luz pura,
De frutos e animais selvagens,
Quando chegou a noite.
A criança recolheu-se
Debaixo da acácia.
Esperou.
Amanheceu,
E novamente a criança dançou na luz.

Elisa Sampaio

O que te faz sorrir ?
Esse sorriso que se abre,
Sem inteligência e sem razão?
É com certeza um momento de abstração,
Mas também um momento de fé.
Uma fé que não explicas
Nos estudos cientificos,
Que ditam o futuro individual e colectivo,
Mas no pulsar do teu próprio coração.
Não é esperança,
Não é sonho,
O sorriso que vejo,
É a celebração inconsciente da vida.

Elisa Sampaio