terça-feira, 21 de agosto de 2012
O que te faz sorrir ?
Esse sorriso que se abre,
Sem inteligência e sem razão?
É com certeza um momento de abstração,
Mas também um momento de fé.
Uma fé que não explicas
Nos estudos cientificos,
Que ditam o futuro individual e colectivo,
Mas no pulsar do teu próprio coração.
Não é esperança,
Não é sonho,
O sorriso que vejo,
É a celebração inconsciente da vida.
Elisa Sampaio
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Desgosto de amor
Gosto de homens que jogam futebol,
Homens para quem uma bola é uma bola,
Homens que não pensam que conquistaram o mundo,
Porque marcaram um golo,
Porque ganharam um jogo.
Gosto de homens que não tomam uma aspirina,
Pelo sim e pelo não,
Mas quando têm dores de cabeça.
Gosto de homens asseados,
Mas que não se importem de se sujar.
Gosto de homens que se bastem a eles próprios,
Que não precisem da aprovação ou do aplauso alheio.
Gosto de homens sensatos,
Que tenham a insensatez de gostar de mim.
Gosto de homens que não pensem que me conhecem,
Por conhecerem a minha vida.
E é por tudo isto que gosto de ti,
E é por tudo isto que não gosto de ti.
Elisa Sampaio
Gosto de homens que jogam futebol,
Homens para quem uma bola é uma bola,
Homens que não pensam que conquistaram o mundo,
Porque marcaram um golo,
Porque ganharam um jogo.
Gosto de homens que não tomam uma aspirina,
Pelo sim e pelo não,
Mas quando têm dores de cabeça.
Gosto de homens asseados,
Mas que não se importem de se sujar.
Gosto de homens que se bastem a eles próprios,
Que não precisem da aprovação ou do aplauso alheio.
Gosto de homens sensatos,
Que tenham a insensatez de gostar de mim.
Gosto de homens que não pensem que me conhecem,
Por conhecerem a minha vida.
E é por tudo isto que gosto de ti,
E é por tudo isto que não gosto de ti.
Elisa Sampaio
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Havia um menino
que tinha um chapéu
para pôr na cabeça
por causa do sol.
Em vez de um gatinho
tinha um caracol
tinha o caracol
dentro do chapéu;
fazia-lhe cócegas
no alto da cabeça.
Por isso ele andava
depressa, depressa
p´ra ver se chegava
a casa e tirava
o tal caracol
do chapéu, saindo
de lá e caindo
o tal caracol.
Mas, era, afinal
impossível tal,
nem fazia mal
nem vê-lo, nem tê-lo:
porque o caracol
era de cabelo.
Poema de Fernando Pessoa dedicado a uma criança que detestava usar chapéu.
que tinha um chapéu
para pôr na cabeça
por causa do sol.
Em vez de um gatinho
tinha um caracol
tinha o caracol
dentro do chapéu;
fazia-lhe cócegas
no alto da cabeça.
Por isso ele andava
depressa, depressa
p´ra ver se chegava
a casa e tirava
o tal caracol
do chapéu, saindo
de lá e caindo
o tal caracol.
Mas, era, afinal
impossível tal,
nem fazia mal
nem vê-lo, nem tê-lo:
porque o caracol
era de cabelo.
Poema de Fernando Pessoa dedicado a uma criança que detestava usar chapéu.
terça-feira, 3 de julho de 2012
Noite
A nau de um deles tinha-se perdido
No mar indefenido.
O segundo pediu licença ao Rei
De, na fé e na lei
Da descoberta, ir em procura
Do irmão no mar sem fim e a névoa escura.
Tempo foi. Nem primeiro nem segundo
Volveu do fim profundo
Do mar ignoto à pátria por quem dera
O enigma que fizera.
Então o terceiro a El-Rei rogou
Licença de os buscar, e El-Rei negou.
*
Como a um cativo, o ouvem a passar
Os servos do solar.
E, quando o vêem , vêem a figura
Da febre e da amargura,
Com fixos olhos rasos de ânsia
Fitando a proibida azul distância.
*
Senhor, os dois irmãos do nosso nome
O Poder e o Renome -
Ambos se foram pelo mar da idade
À tua eternidade;
E com eles de nós se foi
O que faz a alma poder ser de heroi
Queremos ir buscá-los, desta vil
Nossa prisão servil:
É a busca de quem somos, na distância
De nós; e, em febre de ânsia,
A Deus as mãos alçamos.
Mas Deus não dá licença que partamos.
Fernando Pessoa, Mensagem
A nau de um deles tinha-se perdido
No mar indefenido.
O segundo pediu licença ao Rei
De, na fé e na lei
Da descoberta, ir em procura
Do irmão no mar sem fim e a névoa escura.
Tempo foi. Nem primeiro nem segundo
Volveu do fim profundo
Do mar ignoto à pátria por quem dera
O enigma que fizera.
Então o terceiro a El-Rei rogou
Licença de os buscar, e El-Rei negou.
*
Como a um cativo, o ouvem a passar
Os servos do solar.
E, quando o vêem , vêem a figura
Da febre e da amargura,
Com fixos olhos rasos de ânsia
Fitando a proibida azul distância.
*
Senhor, os dois irmãos do nosso nome
O Poder e o Renome -
Ambos se foram pelo mar da idade
À tua eternidade;
E com eles de nós se foi
O que faz a alma poder ser de heroi
Queremos ir buscá-los, desta vil
Nossa prisão servil:
É a busca de quem somos, na distância
De nós; e, em febre de ânsia,
A Deus as mãos alçamos.
Mas Deus não dá licença que partamos.
Fernando Pessoa, Mensagem
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Ao expirar o meu último suspiro também eu terei Rosebud nos meus lábios exactamente como a personagem principal de Citizen kane.
Ao expirar o meu último suspiro também eu doarei a vida a quem ma desejou tirar bem à forma do enredo de Blade Runner.
Poderia talvez considerar-me uma actriz no palco da vida mas temo bem que o sejamos todos.
Vivo apenas, como todos vivemos, com Rosebud no coração, tentando que a felicidade não esteja de todo esquecida numa vida em que a poesia quando surge é por urgência da alma e não por necessidade.
Vivo apenas e morrerei apenas, preferindo sempre a vida, acima do bem e do mal de cada vida.
Talvez amanhã ainda os meus olhos se encham de felicidade com o despontar de um dia azul de Primavera e espero perceber que esse sentimento sobre o horizonte azul é um milagre.
E espero que acima de tudo o que nos divide, nos mata, ou nos zanga, todos percebamos que vivemos um milagre.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Pior que as mulheres usarem saltos altos é as mulheres usarem sapatilhas...
E para cúmulo ficarem mais bonitas de sapatilhas que de saltos altos!
Porque diabo é que o mundo mudou?
Porque diabo é que as mulheres descobriram que tinham desejo além do desejo que posso sentir por elas?
Sim, porque é mesmo coisa do diabo...
Onde estão as mulheres, aquelas mulheres que realmente interessam, as maças que estão no topo da árvore, que zelam pelos seus maridos e pela sua casa?
Não, não é uma questão de misoginia....Há quem afirme a pés juntos que sim...Mas eu no fundo só queria que o mundo fosse igual ao dos livros da Anita...
O Macho Inconsolado.
E para cúmulo ficarem mais bonitas de sapatilhas que de saltos altos!
Porque diabo é que o mundo mudou?
Porque diabo é que as mulheres descobriram que tinham desejo além do desejo que posso sentir por elas?
Sim, porque é mesmo coisa do diabo...
Onde estão as mulheres, aquelas mulheres que realmente interessam, as maças que estão no topo da árvore, que zelam pelos seus maridos e pela sua casa?
Não, não é uma questão de misoginia....Há quem afirme a pés juntos que sim...Mas eu no fundo só queria que o mundo fosse igual ao dos livros da Anita...
O Macho Inconsolado.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
O que fazer quando se devem mais que 100 milhões de euros a uma gaja?
Bem, tem que se arranjar uma maneira de não os pagar...
Entorpecer a gaja com manipulações mentais, inventar o mais que se possa inventar sobre a gaja para justificar não pagar, ameaçar a gaja...
Em último caso deve-se matar a gaja, já se sabe...
Um pequeno conto hardcore de Natal...
Um conto hardcore para nos recordar que felizmente a realidade é bem mais risonha que a ficção...
Beijinhos a todos e um Feliz Natal!
Bem, tem que se arranjar uma maneira de não os pagar...
Entorpecer a gaja com manipulações mentais, inventar o mais que se possa inventar sobre a gaja para justificar não pagar, ameaçar a gaja...
Em último caso deve-se matar a gaja, já se sabe...
Um pequeno conto hardcore de Natal...
Um conto hardcore para nos recordar que felizmente a realidade é bem mais risonha que a ficção...
Beijinhos a todos e um Feliz Natal!
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