Liberdade
Ai que prazer
Não cumprir um dever
ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal
Como tem tempo não tem pressa....
Livros são papéis pintados com tinta,
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca.
Fernando Pessoa.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
segunda-feira, 6 de junho de 2011
A Humilhação de Philip Roth
Um livro que se lê depressa demais, porque é sucinto, deixando o acessório de parte.
Roth escreve sobre um actor que se vê confrotando e esvaziado do talento que o levara a uma carreira feliz. O amor que aparece de forma repentina para preencher o vazio da carreira artística, um amor forte que irá acabar como começou. Tudo na vida da personagem principal acabará por morrer...
Roth escreve sobre um actor que se vê confrotando e esvaziado do talento que o levara a uma carreira feliz. O amor que aparece de forma repentina para preencher o vazio da carreira artística, um amor forte que irá acabar como começou. Tudo na vida da personagem principal acabará por morrer...
sábado, 9 de abril de 2011
Soneto a quatro mãos Tudo de amor que existe em mim foi dado Tudo que fala em mim de amor foi dito. Do nada em mim o amor fez o infinito Que por muito tornou-me escravizado. Tão pródigo de amor fiquei coitado Tão fácil para amar fiquei proscrito. Cada voto que fiz ergueu-se em grito Contra o meu próprio dar demasiado. Tenho dado de amor mais que coubesse Nesse meu pobre coração humano Desse eterno amor meu antes não desse. Pois se por tanto dar me fiz engano Melhor fora que desse e recebesse Para viver da vida o amor sem dano. Vinicius de Moraes
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Uma História da Leitura
«Vou mais uma vez mudar de casa. À minha volta, na poeira secreta de cantos insuspeitos, entretanto revelados pelo arrastar de móveis, empilham-se colunas instáveis de livros, como os penedos esculpidos pelo vento de uma paisagem desértica. Ao erguer pilha atrás de pilha de volumes conhecidos (reconheço alguns pela cor, outras pelo formato, muitos por um pormenor nas capas, cujos títulos tento ler ao contrário ou de um ângulo inadequado), pergunto-me, como de todas as outras vezes, por que motivo guardo tantos livros que sei que não voltarei a ler.»
Alberto Manguel
Alberto Manguel
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Instruções Para Salvar o Mundo
« Já que nos dias de hoje nada é fiável, e já que os deuses e as ideologias há muito estão enterrados, ao menos sê boa pessoa, caramba!»
-Rosa Montero-
-Rosa Montero-
sábado, 17 de abril de 2010
É proibido, por Pablo Neruda.
É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.
É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos
Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,
Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,
Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,
Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.
É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos
Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,
Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,
Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,
Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Truman Capote (1924-1984)
Entrevistas da Paris Review
"Há alguma coisa que tenha escrito há muito tempo e de que goste tanto como gosta daquilo que escreve agora?
-Sim. Por exemplo, no Verão passado li o meu romance Outras Vozes, Outros Lugares pela primeira vez desde que ele foi publicado, há oito anos, e foi quase como se estivesse a ler uma coisa escrita por um estranho. A verdade é que eu sou um estranho para aquele livro; a pessoa que o escreveu parece ter pouco em comum com o meu eu actual. As nossas mentalidades, as nossas temperaturas interiores são totalmente diferentes. Apesar da inépcia, aquilo tem uma extraordinária intensidade, verdadeira voltagem. Estou muito satisfeito por ter conseguido escrever o livro quando o escrevi, caso contrário ele nunca teria sido escrito."
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