Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012




Deveriamos atemo-nos a um idioma e aprofundar o seu conhecimento em todas as oportunidades. Para um escritor, tagarelar com uma porteira é mais proveitoso do que entreter-se com um erudito numa língua estrangeira.

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A ideia de fatalidade tem qualquer coisa de envolvente e voluptuoso: mantém-nos quente.


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Os místicos e as suas «obras completas». Quando nos dirigimos a Deus, e apenas a Deus, como eles pretendem, devemos abstermo-nos de escrever. Deus não lê...


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"... o sentimento de ser tudo e a evidência de não ser nada". O acaso fez-me cair, na minha juventude, sobre este fragmento de frase. Sobressaltou-me. Tudo o que eu então senti, e tudo o que eu devia sentir depois, encontrava-se plasmado nesta extraordinária fórmula banal, síntese de dilatação e de fracasso, de êxtase e de impasse. A maior parte das vezes não é de um paradoxo mas de um truísmo que surge uma revelação.


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A ideia de progresso, não podemos passar sem ela, e no entanto não merece que nela nos detenhamos. É como o «sentido» da vida. É preciso que a vida tenha um sentido. Mas existirá um só que, examinado à lupa, não se revele ridículo?


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Em paz consigo mesmo e o mundo, o espírito definha. À menor contrariedade, floresce. O pensamento não é, em suma, senão a exploração descarada dos nossos genes e das nossos desgraças.


Emil Cioran, De l’inconvénient d’être né