Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011


Ágnes Nemes Nagy

Pássaro

Tenho um pássaro empoleirado no ombro,
um pássaro-gémeo, um pássaro que nasceu comigo.
Cresceu tanto, ficou tão pesado,
cada passo que dou é uma tortura.

Um peso morto, um peso morto, um peso morto sobre mim.
Devia deitá-lo ao chão - é tenaz,
as suas garras cravam-se no meu ombro
como as raízes de um carvalho.

A um palmo do meu ouvido: o som
do seu horrível coração de pássaro a palpitar.
Se um dia levantar voo
cairei logo por terra.

Tradução de Luís Filipe Parrado.


Lázaro

Erguendo-se, lento, no ombro esquerdo doíam
os músculos, de uma vida inteira.
Sua morte descolando, qual gaze.
Pois ressuscitar é igualmente difícil.

Tradução de Ernesto Rodrigues.